Startup Ecosystem Outlook 2026: uma década de crescimento, maturidade e o caminho para ganhar escala
A Europe Startup Nations Alliance (ESNA) publicou o ESNA Startup Ecosystem Outlook 2026, o primeiro relatório da ESNA Data Platform. Divulgado hoje, o relatório destaca a crescente maturidade do ecossistema europeu de startups e o desafio de permitir que mais startups europeias escala a nivel global.
Lisboa, 1 de outubro de 2026 — Tendo como base dez anos de dados comparáveis, o ESNA Startup Ecosystem Outlook 2026 oferece uma perspetiva de longo prazo sobre a evolução da economia europeia de startups. O relatório reúne informação sobre a criação e o crescimento de empresas, emprego, valorização e capital de risco na União Europeia e nos principais ecossistemas de startups a nível mundial. Estabelece, assim, uma base comum de evidências para compreender a atual posição da Europa e a evolução da sua economia de startups ao longo do tempo.
O relatório revela um ecossistema que cresceu e amadureceu ao longo da última década. A Europa desenvolveu uma base significativa de startups, enquanto as empresas que atingiram escala representam uma proporção crescente das receitas, do emprego e da valorização do ecossistema. O relatório identifica ainda um claro desafio estrutural: a Europa precisa de criar condições para que mais startups consigam ganhar escala.
A diferença face aos Estados Unidos manifesta-se menos na criação de startups e mais na progressão para ganhar escala. Embora a UE disponha de uma base significativa de empresas no seu ecossistema, menos startups europeias evoluem para centaurs e unicorns. O relatório conclui também que as empresas europeias podem apresentar um forte desempenho quando atingem escala.
Entre as principais conclusões do relatório destacam-se:
- Um ecossistema em crescimento e cada vez mais maduro: o emprego no ecossistema da UE duplicou, passando de cerca de 0,8 milhões de pessoas em 2015 para aproximadamente 1,6 milhões em 2025, sendo o crescimento cada vez mais concentrado nas empresas que atingiram escala.
- Ganhar escala continua a ser um dos principais desafios: entre 2015 e 2025, as empresas que atingiram escala representaram, em média, cerca de 1,1% do ecossistema da UE, face a 3,9% nos Estados Unidos, evidenciando a progressão para a escala como um dos problemas estruturais.
- As empresas europeias podem apresentar um forte desempenho quando atingem escala: em 2025, a receita média dos centaurs e unicorns da UE foi superior à das empresas equivalentes nos Estados Unidos.
- A Europa continua a ser um dos principais mercados de capital de risco: em 2025, a UE foi o segundo maior mercado de capital de risco do mundo, embora o investimento tenha correspondido a cerca de um sexto dos níveis registados nos Estados Unidos, estando a diferença de financiamento particularmente concentrada nas rondas de maior dimensão.
Arthur Jordão, Diretor Executivo da ESNA, destacou: “O Intel Report representa mais um marco importante na missão da ESNA. A Europa desenvolveu uma base de startups ampla e cada vez mais madura: em 2025, as empresas do ecossistema da UE geraram uma receita estimada de 141 mil milhões de euros, empregaram cerca de 1,6 milhões de pessoas e atingiram uma valorização conjunta de aproximadamente 1 bilião de euros. No entanto, a Europa continua a transformar poucas startups em empresas de escala (centaurs e unicorns). A diferença face aos Estados Unidos manifesta-se menos na criação de empresas e mais no percurso entre a fase de startup e a escala global. Os dados mostram também que as empresas europeias podem apresentar um forte desempenho quando atingem escala. A oportunidade passa, por isso, por alargar este pipeline: aprofundar os mercados de capital em fases mais avançadas, mobilizar investimento institucional, reforçar a sindicação transfronteiriça e ajudar mais empresas a crescer em toda a Europa e a competir a nível global.”